Skatista Trans é Acusada de Violência Sexual
- 10 de nov de 2024
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Atualizado: 11 de nov de 2024

Luiza Marchiori, a primeira mulher trans a competir profissionalmente no skate no Brasil, enfrenta uma série de acusações que incluem violência doméstica, psicológica e sexual.
Aos 30 anos, a atleta tem conquistado destaque nas competições femininas após uma carreira vitoriosa na categoria masculina, onde foi bicampeã brasileira e heptacampeã estadual em Santa Catarina.
Entretanto, as recentes denúncias lançaram uma sombra sobre sua trajetória.
As investigações envolvem cinco inquéritos abertos na Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso, em Florianópolis, que estão sob sigilo judicial e foram iniciados a partir de solicitações do Ministério Público de Santa Catarina.
Até o momento, Marchiori prestou depoimento em apenas um dos casos.
Acusações: Abuso Psicológico e Violência
Quatro das supostas vítimas são ex-namoradas da skatista, com quem ela se relacionou entre 2011 e 2021, período em que ainda se identificava como homem.
Os relatos sugerem um padrão de comportamento controlador e abusivo, envolvendo coerção para que as parceiras adotassem roupas masculinas e abandonassem práticas como o uso de maquiagem.
Os depoimentos incluem episódios de agressão física, cárcere privado e humilhações verbais.
Um dos casos mais delicados envolve uma vítima que tinha 14 anos quando conheceu Marchiori, então com 22.
Segundo o boletim de ocorrência, a skatista a constrangia sexualmente e a forçava a compartilhar o mesmo espaço de descanso em torneios.
Esses eventos ocorreram com o consentimento dos pais da jovem, que viam Marchiori como uma mentora no esporte.
Relatos e Impacto das Denúncias
Gabriella Ribeiro, uma das ex-namoradas, detalhou uma ocasião em que foi agredida fisicamente por Marchiori, em meio a um episódio de ciúmes.
“Ela ficou descontrolada e tentou bater no meu cachorro; quando o peguei no colo, fui atingida junto com o animal”, relatou Ribeiro.
O comportamento controlador também incluía a invasão de privacidade, como confiscos de celular e comunicação falsa em nome da parceira.
Agnes Melo, influencer com mais de 7 milhões de seguidores, também relatou ter vivido um relacionamento abusivo com Marchiori em 2022, período em que sua filha de três anos teria sido exposta a situações de privação de sono e tortura psicológica.
Defesa da Atleta
A advogada de Marchiori, Larissa Krétzër, afirma que sua cliente está sendo vítima de um complô motivado por transfobia, citando que os ataques começaram após sua transição de gênero e ingresso nas competições femininas.
"Ela tem sofrido ataques e ameaças constantes, o que resultou em síndrome do pânico", disse Krétzër, acrescentando que a defesa tomará medidas legais contra as denunciantes.
Nas redes sociais, Marchiori tem se manifestado alegando ser alvo de falsas acusações e comparou a situação ao caso de Mariana Ferrer, que envolveu acusações de injustiça e tratamento inadequado em um julgamento de estupro.
Debate e Contexto
Bruna Brigoni, advogada das cinco vítimas, rebate as alegações de transfobia e enfatiza que a identidade de gênero da acusada não tem relação com as denúncias.
“Nossa atuação é focada no respeito e na responsabilidade. Não se trata de transfobia, mas de condutas que envolvem caráter”, afirmou.
O caso de Luiza Marchiori levanta questões complexas sobre justiça, direitos e a intersecção entre reconhecimento de gênero e comportamento ético.
O desenrolar das investigações será fundamental para trazer à luz as nuances de uma situação que tem repercussões tanto no esporte quanto na sociedade.
Por Redator Convidado




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