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Entrevista | Everson Taco: quando é hora de investigar o que está por trás das dificuldades do dia a dia?

1 de set.
13 min de leitura

Cada vez mais pessoas chegam à vida adulta tentando entender dificuldades que carregam há anos: problemas de atenção, organização, memória, aprendizagem, relacionamentos ou a sensação de que determinadas situações parecem exigir um esforço muito maior do que para outras pessoas.


Ao mesmo tempo, temas como TDAH, autismo, neurodiversidade e saúde mental ganharam enorme espaço nas redes sociais.


A informação ajuda, mas também pode gerar dúvidas, autodiagnósticos e interpretações equivocadas.


Para entender melhor quando uma avaliação psicológica ou neuropsicológica pode fazer sentido, conversamos com Everson Taco, psicólogo especialista em Avaliação Psicológica, com atuação em avaliação neuropsicológica e Terapia Cognitivo-Comportamental.


Nesta conversa, Everson fala sobre sinais que merecem atenção, diagnóstico na vida adulta, adolescentes, testes encontrados na internet, redes sociais e o que realmente acontece durante uma avaliação.


Entrevista


1. Everson, muita gente chega à vida adulta dizendo “sempre fui assim”. Em que momento uma característica pessoal começa a merecer uma investigação mais cuidadosa?


O mais importante não é a característica em si, mas o impacto dela na vida da pessoa. Todo mundo tem dias mais desorganizados, esquece compromissos ou se distrai numa reunião chata.


O sinal de alerta aparece quando isso se repete de forma consistente, e, principalmente, em diferentes áreas da vida, trabalho, estudos, relacionamentos, e começa a gerar prejuízo real: perda de oportunidades, conflitos recorrentes, sensação crônica de estar "sempre correndo atrás".


Quando a pessoa percebe que já desenvolveu uma vida inteira de estratégias só para compensar aquilo, geralmente é hora de investigar com mais cuidado.


2. Quais dificuldades do cotidiano você percebe que mais levam as pessoas a procurar uma avaliação atualmente?


As queixas mais frequentes envolvem atenção e concentração, organização do tempo, esquecimentos, procrastinação, dificuldade de terminar tarefas e, sim, problemas em relacionamentos interpessoais.


Também é comum a busca vir acompanhada de sintomas de ansiedade, depressão ou de um cansaço emocional que a pessoa não sabe explicar.


Muitas vezes o motivo declarado é um só ("acho que tenho TDAH"), mas ao longo da entrevista inicial aparecem outras questões que também precisam ser consideradas.


3. Quando alguém chega dizendo “acho que tenho TDAH”, o que normalmente existe por trás dessa suspeita?


Pode haver, de fato, um quadro de TDAH nunca identificado, não se pode descartar essa hipótese.


Mas também pode haver ansiedade, quadros depressivos, sobrecarga de rotina, privação de sono, uso de substâncias, atualmente uso exagerado de telas, dificuldades de aprendizagem ou simplesmente um ambiente de trabalho e de vida pouco compatível com o funcionamento daquela pessoa.


Uma das funções da avaliação é justamente separar essas camadas: entender o que é sintoma central, o que é consequência e o que é apenas parte da variação normal do comportamento humano.


4. Por que tantas pessoas só começam a questionar a possibilidade de TDAH depois dos 30 ou 40 anos?


Porque, durante boa parte da vida, muitas pessoas conseguem compensar as dificuldades com esforço, rotina estruturada por terceiros (escola, pais) ou ambientes mais tolerantes, ou entendem que é “algo normal da idade”.


Quando a vida adulta chega, com mais responsabilidades, menos supervisão externa e exigências de autogestão, essas estratégias compensatórias começam a falhar. É comum que a suspeita surja justamente numa fase de transição: um novo emprego, a chegada de um filho, uma sobrecarga profissional.


Além disso, o TDAH em adultos só passou a ser mais reconhecido e estudado nas últimas décadas, então há também uma geração inteira que nunca teve a chance de ser avaliada quando criança.


5. Hoje existe muito conteúdo sobre TDAH nas redes sociais. O que esse movimento trouxe de positivo e onde começam os problemas?


Existe um lado positivo: mais gente conhece os sintomas, se sente representada e busca ajuda que antes talvez nunca procurasse.


Isso reduz o estigma e antecipa diagnósticos que ficariam escondidos por anos. O problema começa quando o conteúdo, feito para ser curto e de fácil consumo, simplifica demais um quadro clínico complexo.


Sintomas isolados são apresentados como se fossem sinônimo de diagnóstico, sem considerar critérios como início na infância, persistência ao longo do tempo e prejuízo em múltiplos contextos, que são centrais para qualquer diagnóstico responsável.


Um exemplo é, no DSM 5-TR, o Manual de Diagnóstico de Transtornos, para a desatenção, o indivíduo tem que pontuar pelo menos 6, das 8 características presentes, se pontuar um número abaixo, provavelmente não é o TDAH, mas tem algumas características do TDAH.


6. Uma pessoa pode se identificar com praticamente todos os sintomas apresentados em um vídeo e ainda assim não ter TDAH? Como explicar isso?


Sim, e isso é mais comum do que parece. Sintomas como desatenção, esquecimento, procrastinação ou inquietação não são exclusivos do TDAH, aparecem em quadros de ansiedade, depressão, estresse crônico, privação de sono e até em pessoas sem nenhum transtorno, apenas vivendo uma fase de sobrecarga.


Além disso, existe um fenômeno psicológico natural: quando prestamos atenção a uma lista de sintomas, é fácil reconhecer neles pedaços da própria experiência, porque são comportamentos humanos bastante universais.


Isso se chama, na psicologia, viés de confirmação, buscamos e valorizamos informações que confirmam o que já suspeitávamos. Uma coisa atual: o uso de telas, principalmente por crianças e adolescentes, de forma indiscriminada, pode ser um gerador de sintomas de desatenção e hiperatividade nas situações cotidianas.


7. Falta de atenção pode ter outras causas? O que precisa ser considerado antes de chegar a uma conclusão?


Pode sim, e arrisco a dizer, a maioria não é TDAH. Antes de qualquer conclusão, é preciso considerar fatores como qualidade do sono, ansiedade, humor deprimido, uso de álcool ou outras substâncias, sobrecarga de tarefas, questões hormonais, dificuldades de aprendizagem não identificadas e até problemas de saúde física, como alterações de tireoide.


A avaliação neuropsicológica existe justamente para investigar essas hipóteses de forma estruturada, e não para confirmar uma suspeita trazida de antemão.


8. Algo parecido vem acontecendo com o autismo. O que costuma levar adultos a procurar uma avaliação por suspeita de TEA?


Os motivos mais comuns envolvem dificuldades em interações sociais, sensibilidade sensorial (a sons, luzes, texturas), necessidade de rotina e previsibilidade, dificuldade em lidar com mudanças inesperadas e uma sensação antiga de "não me encaixar" nos grupos.


Muitas vezes essas pessoas passaram a vida toda desenvolvendo formas de mascarar essas características para se adaptar socialmente, e chegam à avaliação exaustas desse esforço constante.


9. Frases como “sempre me senti diferente” ou “nunca senti que pertencia aos grupos” aparecem nesse processo? O que elas podem - e o que não podem - indicar?


Aparecem com frequência, e são informações importantes para a entrevista clínica. Mas, isoladamente, não indicam autismo, podem estar associadas a timidez, ansiedade social, experiências de rejeição na infância, alta sensibilidade, superdotação intelectual ou simplesmente a uma trajetória de vida particular.


O papel da avaliação é investigar se essa sensação de diferença vem acompanhada de características específicas do funcionamento autista, presentes desde o início do desenvolvimento, e não tratá-la como prova suficiente por si só.


10. Existe hoje um risco de transformar características humanas comuns em sintomas de algum transtorno?


Sim, esse é um risco real, e tem nome: patologização de comportamentos que fazem parte da diversidade normal do funcionamento humano.


Nem toda timidez é ansiedade social, nem toda desorganização é TDAH, nem toda preferência por rotina é autismo.


A avaliação profissional existe exatamente para colocar esses comportamentos em contexto e diferenciar traço de transtorno, e não para confirmar rótulos que a pessoa já trouxe de casa.


11. Os testes rápidos encontrados na internet podem ajudar de alguma maneira ou acabam confundindo mais do que esclarecendo?


Não posso dizer que todos estão errados, alguns podem ter alguma utilidade como ponto de partida para a reflexão, mas não substituem uma avaliação, podem indicar características mas não fechar um laudo, mesmo que você pontue todos os itens do teste.


A maioria desses testes não passou por processos de validação científica, não considera o histórico de vida da pessoa e é respondida sem a mediação de um profissional treinado para interpretar os resultados.


O risco é a pessoa levar um resultado de um teste informal como se fosse um diagnóstico fechado, o que pode gerar tanto alívio precoce quanto ansiedade desnecessária.


12. E a inteligência artificial? Você percebe pessoas recorrendo a ferramentas de IA para tentar entender sintomas ou até buscar um possível diagnóstico? Que cuidados são necessários?


É uma tendência crescente. A IA pode ser útil para organizar dúvidas, entender melhor um termo técnico ou se preparar para uma conversa com o profissional.


O cuidado necessário é entender que essas ferramentas não têm acesso ao histórico de vida da pessoa, não observam comportamento, não aplicam testes validados e não substituem o julgamento clínico, pode funcionar exatamente como os testes citados acima.


Usar a IA para se informar é diferente de usar a IA para se autodiagnosticar, e é essa segunda prática que preocupa. E, muitas vezes a IA responde o que você quer ouvir.


13. Quando alguém procura uma avaliação neuropsicológica, que tipo de resposta geralmente esta pessoa espera encontrar e como essa avaliação pode transformar positivamente a vida dela? 


Na maioria das vezes, a pessoa busca uma explicação: entender por que determinadas coisas sempre foram mais difíceis para ela do que para os outros.


Além de esclarecer ou descartar hipóteses diagnósticas, a avaliação costuma trazer um efeito prático importante, a pessoa passa a entender seu próprio funcionamento, para de se culpar por dificuldades que têm uma explicação, e ganha orientações concretas para lidar melhor com o dia a dia, seja por meio de terapia, de estratégias específicas ou, quando indicado, de acompanhamento médico.


14. O que uma avaliação pode revelar além da pergunta “tenho ou não tenho determinado transtorno”?


Pode revelar muitas coisas. Ela revela um perfil de funcionamento cognitivo e emocional: quais são os pontos fortes da pessoa, quais funções estão preservadas, onde estão as reais dificuldades e como elas se relacionam com a história de vida.


Às vezes a avaliação não confirma o diagnóstico suspeitado, mas identifica outra questão que estava por trás da queixa o tempo todo, e é isso que permite um encaminhamento realmente útil. 


15. Muita gente imagina que avaliação neuropsicológica é simplesmente sentar e responder testes. O que realmente acontece durante esse processo?

O processo começa com uma entrevista inicial detalhada, que investiga história de desenvolvimento, queixa atual, contexto familiar, escolar e profissional, essa entrevista pode, também, ser feita, com familiares, pais, mães, pessoas que tem informações sobre a vida do avaliado.


A partir dela, é definida uma bateria de testes específica para aquela pessoa e para aquela dúvida, não existe uma bateria "padrão" igual para todos.


Seguem-se as sessões de aplicação dos instrumentos, depois uma etapa de correção e análise integrada dos resultados, a elaboração do laudo e, por fim, a devolutiva, que é a conversa em que tudo isso é traduzido para a pessoa de forma compreensível.


16. Por que duas pessoas com a mesma suspeita podem passar por processos de avaliação diferentes?


Porque a bateria de testes é construída a partir da história e da queixa de cada pessoa, e não de um modelo fixo.


Idade, escolaridade, contexto de vida, comorbidades e a própria pergunta que motivou a avaliação (é para fins clínicos? escolares? jurídicos?) influenciam diretamente quais instrumentos serão utilizados e em que profundidade cada função será investigada.


17. O que o psicólogo observa que um teste isolado não consegue mostrar?


Um teste sozinho mostra um número, um escore. O psicólogo observa o comportamento durante a aplicação: como a pessoa lida com a frustração diante de uma tarefa difícil, como organiza seu raciocínio, se pede ajuda, se desiste rápido, como reage ao erro, como se comunica.


Essa leitura qualitativa, somada aos dados quantitativos dos testes, é o que permite construir um entendimento real da pessoa, não apenas da pontuação que ela obteve. Uma grande diferença dos testes de internet que só devolvem números.


18. Depois que os testes terminam, existe bastante trabalho que o paciente não vê. O que acontece nessa etapa de análise?


Essa é, muitas vezes, a etapa mais demorada do processo. Envolve a correção detalhada de cada instrumento, a comparação dos resultados com as normas da população, o cruzamento das informações entre os diferentes testes e destes com a entrevista inicial e as observações comportamentais.


É aqui que hipóteses são confirmadas, descartadas ou ajustadas, e que se constrói a narrativa que vai dar origem ao laudo. É um trabalho solitário do avaliador com todos os resultados de testes e questionários respondidos.


19. Qual é o papel do laudo e, principalmente, da conversa de devolutiva no final da avaliação? 


O laudo é o documento técnico-científico que formaliza tudo o que foi investigado e concluído, precisa ser objetivo, imparcial e tecnicamente fundamentado.


Já a devolutiva é o momento humano desse processo: é quando os resultados são traduzidos em linguagem acessível, com exemplos do dia a dia da própria pessoa, e quando ela pode tirar dúvidas, entender o que aquilo significa na prática e receber orientações para os próximos passos.


Para o paciente, a devolutiva costuma ser o momento mais importante de toda a avaliação. Essa devolutiva também pode acontecer com outro profissional que acompanhe o avaliado, com a escola, com o médico, enfim, profissionais que fazem parte da vida do avaliado, mas, sempre, com uma ressalva: a devolutiva para terceiros somente ocorre com autorização expressa do avaliado.


20. Para algumas pessoas, receber um diagnóstico pode trazer alívio; para outras, medo. Como você enxerga essa relação com os rótulos diagnósticos?


As duas reações são absolutamente legítimas. Para muitos, o diagnóstico é um alívio porque finalmente existe uma explicação, a pessoa entende que não é "preguiça" ou "falta de esforço", mas um funcionamento diferente que sempre esteve ali.


Para outros, o medo aparece pela carga social do rótulo, pelo receio de ser visto de forma diferente ou de que aquilo defina quem ela é.


Parte do meu trabalho na devolutiva é justamente ajudar a pessoa a enxergar o diagnóstico como uma ferramenta de autoconhecimento e não como um rótulo definitivo.


Particularmente começo uma devolutiva mostrando todos os pontos positivos que apareceram na avaliação, porque sempre aparecem, a finalidade é o avaliado entender que existem pontos muito bons nele.


Essa maneira não é obrigatória, mas, durante toda minha carreira, entendi que essa maneira diminui muito a ansiedade da pessoa que está recebendo o laudo.


21. No caso dos adolescentes, quais mudanças no comportamento, nos estudos ou nos relacionamentos costumam fazer pais e escolas perceberem que talvez seja necessário investigar melhor?


Queda de rendimento escolar sem explicação aparente, dificuldade de concentração nas tarefas, esquecimentos frequentes, isolamento social, mudanças bruscas de humor, conflitos recorrentes com colegas ou familiares e resistência a ir à escola costumam ser os sinais que mais chamam atenção.


O importante é observar se essas mudanças representam uma ruptura com o funcionamento anterior do adolescente, e não apenas características da própria fase.


22. Quando um adolescente apresenta dificuldade escolar, conclusões precipitadas do tipo “é preguiça”, “é falta de interesse” ou “é TDAH”, são bem comuns. Quais fatores ou sinais podem significar um indício de que é necessária uma investigação mais aprofundada?


Não só com adolescentes, adultos passam por isso também. Quando a dificuldade é seletiva (aparece só em determinadas matérias ou tipos de tarefa), quando existe um esforço visível que não se traduz em resultado, quando há histórico de dificuldades desde os primeiros anos escolares, ou quando fatores emocionais, familiares e sensoriais já foram observados e a dificuldade persiste, são sinais de que vale a pena investigar mais a fundo, em vez de apenas rotular o comportamento.


23. Até que ponto escola, família, médicos e outros profissionais ajudam a construir uma visão mais completa durante uma avaliação?


Ajudam bastante, e sempre que possível eu busco esse contato. A escola observa o adolescente em um contexto que a família não vê, e vice-versa. Médicos e outros profissionais podem trazer informações clínicas relevantes.


Quanto mais fontes de informação, mais completa e confiável fica a leitura do funcionamento da pessoa, a avaliação nunca deveria se basear apenas na perspectiva de quem está sendo avaliado.


24. Há também avaliações psicológicas relacionadas a procedimentos como cirurgia bariátrica, vasectomia e laqueadura. O que as pessoas geralmente entendem errado sobre esse tipo de avaliação e qual a relação entre essa avaliação e o sucesso do procedimento?


O principal engano é achar que essa avaliação é uma barreira burocrática ou um teste que se pode "passar ou não passar" de forma arbitrária.


Na prática, ela existe para compreender o funcionamento psicológico da pessoa diante da decisão, no caso da esterilização, inclusive, é uma exigência prevista pela Lei do Planejamento Familiar (Lei nº 9.263/1996).


O objetivo é entender se a decisão é consciente, informada e não motivada por uma pressão externa ou por um momento de crise, além de avaliar a capacidade da pessoa de lidar com as mudanças que vêm depois do procedimento. Isso está diretamente relacionado ao sucesso a longo prazo: decisões bem compreendidas e mudanças bem preparadas tendem a ter resultados mais estáveis.


Na questão da bariátrica, há necessidade de entender como a pessoa lida com a compulsão e qual o grau, se existir. E, também, entender como enxerga, e como será, o apoio familiar após a cirurgia, no período de recuperação.


25. Nesses casos, o papel do psicólogo é simplesmente dizer se a pessoa está “apta” ou “não apta”? O que realmente está sendo avaliado?


Não é tão simples quanto um "sim" ou "não". O que se avalia é um conjunto: histórico de vida, estabilidade emocional, capacidade de tomar decisões informadas, entendimento real sobre o procedimento e suas consequências, presença ou ausência de quadros que possam comprometer esse julgamento no momento da avaliação, e a rede de apoio disponível.


Quando necessário, a conclusão pode incluir encaminhamentos, não apenas um veredito final. O veredito final será do médico, com apoio da avaliação realizada.


26. Você também trabalha com psicoterapia. Em que momento a pessoa precisa de uma avaliação e em que momento a necessidade é de acompanhamento terapêutico?


De forma geral, a avaliação é indicada quando existe uma dúvida diagnóstica a ser esclarecida, "o que eu tenho", "por que isso acontece comigo".


Já a psicoterapia é indicada quando a necessidade é de acompanhamento, elaboração emocional e desenvolvimento de estratégias para lidar com o dia a dia, com ou sem diagnóstico fechado.


Muitas vezes os dois caminham juntos: a avaliação esclarece o quadro e a terapia trabalha a partir dele.


27. Uma avaliação pode ajudar a própria psicoterapia ou outros tratamentos a seguirem por caminhos mais adequados?


Sim, e de forma bem direta. Saber, por exemplo, que uma dificuldade de concentração tem base em TDAH, e não apenas em ansiedade, muda a estratégia terapêutica.


Da mesma forma, entender o perfil cognitivo de uma pessoa ajuda o terapeuta a adaptar a linguagem, o ritmo e as técnicas utilizadas.


A avaliação funciona como um mapa que orienta decisões clínicas mais precisas, inclusive quanto à necessidade de acompanhamento médico complementar.


28. Existe alguma pergunta que você recebe repetidamente no consultório e pensa: “as pessoas realmente precisam conversar mais sobre isso”?


Uma das mais frequentes é: "isso significa que eu sou incapaz de algumas coisas?". E a resposta é sempre não.


Entender um diagnóstico não é receber um limite, é receber uma explicação que permite construir estratégias mais eficazes.


Gostaria que mais pessoas soubessem que investigar essas dificuldades é um ato de cuidado consigo mesmo, não uma confirmação de que algo está "errado" com elas.


29. Entre tudo o que se fala hoje sobre TDAH, autismo, ansiedade e neurodiversidade, qual é o mito que você mais gostaria de desfazer?


O mito de que um vídeo de rede social, uma lista de sintomas ou um teste online podem substituir uma avaliação profissional.


Identificar-se com um conteúdo é o começo de uma reflexão válida e importante, mas não é, e nunca será, um diagnóstico.


30. Para quem está lendo esta entrevista porque reconheceu algumas dessas dificuldades na própria vida ou na vida de alguém da família, qual seria sua orientação inicial?


Não tente chegar a uma conclusão sozinho, nem se apoie apenas no que viu na internet. Procure um profissional para conversar sobre o que você está sentindo e observando, mesmo que, no final, a avaliação aponte para algo diferente do que você imaginava, você vai sair de lá com respostas mais confiáveis do que teria em qualquer pesquisa feita por conta própria.


31- Muito obrigado pela sua atenção, Everson, e pela gentileza em compartilhar seu conhecimento com os leitores do Portal Café Conteúdo. O espaço é seu para deixar uma mensagem final a todos que acompanharam até aqui. 


Eu que agradeço o espaço. Fico feliz sempre que posso contribuir para que esses temas sejam discutidos com mais profundidade e menos simplificação.


Se você chegou até aqui porque se reconheceu em alguma dessas questões, saiba que buscar entender o próprio funcionamento é um passo de coragem e de cuidado, e que existe caminho profissional sério para isso, seja por meio de uma avaliação psicológica, neuropsicológica ou de um acompanhamento terapêutico.


Não é porque você é diferente que tem alguma questão, somos indivíduos, com características próprias. A beleza da vida é ser diferente. 


Serviço:

Everson Taco Psicólogo | CRP 06/143304

Endereço: Av. Argentina, 133 - Jardim América, Paulínia - SP, 13140-705

Telefone: (19) 99757-6476





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