Quando o comportamento da criança ou adolescente pede atenção: psicólogo Ricardo Rocha fala sobre desenvolvimento, família e escuta

Nem toda mudança de comportamento em uma criança significa que há um problema. Ao mesmo tempo, nem todo sofrimento aparece em palavras.
Irritabilidade, isolamento, dificuldades na escola, alterações no sono, conflitos frequentes ou uma mudança repentina no jeito de agir podem ser apenas parte de uma fase.
Mas também podem ser sinais de que algo precisa ser compreendido com mais cuidado.
Para o psicólogo e psicopedagogo Ricardo Rocha, que atua com infância, família e educação, o papel dos pais não é diagnosticar os filhos nem tentar se transformar em especialistas.
É desenvolver um olhar mais atento, capaz de perceber o que pode estar por trás de determinados comportamentos e buscar ajuda quando necessário.
Nesta entrevista ao Café Conteúdo, Ricardo fala sobre desenvolvimento infantil, psicoeducação para pais, desafios da escola, sofrimento emocional e a importância de não reduzir famílias e crianças a explicações prontas.

Entrevista com Ricardo Rocha
1. Você costuma dizer que seu objetivo não é transformar pais em psicólogos, mas qualificar o olhar deles sobre os filhos. Na prática, o que isso significa?
Perossi, quando eu digo que não quero transformar os pais em psicólogos, é justamente porque não é esse o papel deles. Eu quero ajudá-los a serem pais mais atentos.
Na prática, é trocar um pouco o julgamento pela curiosidade. Em vez de olhar para uma criança e dizer “ele é preguiçoso”, “ela é desobediente” ou “não quer aprender”, tentar perguntar: “O que está acontecendo com essa criança para ela estar se comportando dessa maneira?”
E aí entra uma perspectiva sócio-histórica. A maneira como entendemos a infância não caiu do céu; ela foi construída historicamente.
Não faz tanto tempo assim, crianças trabalhavam, assumiam responsabilidades enormes e muitas vezes eram tratadas como pequenos adultos.
A própria legislação foi mudando à medida que fomos compreendendo melhor as necessidades e o desenvolvimento da criança.
D. Pedro I é um exemplo interessante. Ainda muito jovem, já estava colocado diante de responsabilidades políticas enormes, meninas, com 12 anos, casavam com adultos, isso quando já não eram “prometidas” desde bebês.
Hoje provavelmente olharíamos para aquela situação de outra maneira. O que mudou não foi simplesmente a criança; mudou também a nossa maneira de compreender o que é ser criança.
E eu acho que isso é fundamental para os pais de hoje. A gente não pode simplesmente pegar a nossa própria infância e usar como manual para criar nossos filhos.
Nós fomos construídos dentro de uma determinada sociedade, e nossos filhos estão sendo construídos em outra.
E faço questão de falar também dos pais, porque historicamente a maior parte do trabalho de criação e acompanhamento dos filhos ainda fica nas mãos das mães.
Não porque exista alguma característica “natural” que faça a mãe compreender melhor a criança, mas porque a sociedade colocou sobre ela essa responsabilidade.
Então, quando o pai começa a participar mais, observar mais e conversar com a mãe sobre aquilo que está percebendo, ele também desenvolve esse olhar.
Eu não quero transformar o pai em psicólogo. Quero ajudá-lo a ser um pai atento.
Antes de perguntar “Como faço meu filho mudar?”, talvez ele possa começar perguntando: “O que meu filho está tentando me mostrar?” Para mim, é aí que começa uma educação mais consciente.
2. Crianças nem sempre conseguem explicar o que estão sentindo. De que formas o comportamento pode comunicar sofrimento, medo, insegurança ou dificuldades que os adultos ainda não perceberam?
Criança nem sempre consegue dizer “eu estou com medo”, “estou sofrendo” ou “alguma coisa está acontecendo comigo”. Muitas vezes, ela comunica isso através do comportamento.
Pode ficar mais irritada, mais quieta, começar a evitar a escola, ter alterações no sono, ficar muito agitada ou perder o interesse por coisas de que gostava.
Mas é importante dizer: um comportamento isolado não é diagnóstico de nada. Ele é uma pista.
Então o pai e a mãe precisam observar a mudança: como essa criança era antes? O que mudou? Quando isso acontece? O que estava acontecendo na vida dela?
E aí entra novamente o olhar sócio-histórico. A criança não se desenvolve sozinha; ela se constitui nas relações que estabelece com a família, com a escola, com outras crianças e com a sociedade.
Por isso, precisamos olhar também para o ambiente em que ela está vivendo.
E isso inclui uma coisa que às vezes é difícil para os adultos aceitarem: nem todo risco para uma criança está fora de casa.
Situações de violência, negligência e até abuso podem acontecer dentro da própria família ou envolver pessoas próximas e de confiança.
Por isso, conhecer a criança, estar presente e perceber mudanças no comportamento é tão importante.
Mas eu faria uma ressalva importante: não é para o pai olhar para qualquer mudança e concluir que existe um abuso.
É para não ignorar sinais persistentes, mudanças significativas e principalmente aquilo que a própria criança tenta comunicar.
Numa situação de suspeita, o caminho não é investigar a criança por conta própria, mas procurar orientação e proteção adequada.
Então eu costumo pensar que o comportamento é uma pista, não um diagnóstico. Às vezes a criança ainda não consegue dizer “eu preciso de ajuda”.
Ela encontra outra maneira de dizer isso. E o adulto precisa estar presente o suficiente para conseguir escutar.
3. Como diferenciar uma fase esperada do desenvolvimento de sinais que merecem atenção profissional? Há mudanças de comportamento que pais e responsáveis não deveriam ignorar?
Essa talvez seja uma das maiores dificuldades dos pais: saber se aquilo que estão vendo é simplesmente uma fase ou se merece uma atenção maior.
Criança muda, testa limites, tem dias em que parece um anjinho e outros em que parece ter sido substituída durante a madrugada.
Isso faz parte do desenvolvimento. O problema é quando uma determinada dificuldade persiste, se intensifica ou começa a prejudicar a vida da criança.
Por exemplo, uma criança pode estar mais agitada em determinada fase. Isso não significa automaticamente TDAH.
Outra pode ter dificuldade para interagir com outras crianças, e isso também não significa necessariamente TEA.
Uma criança pode apresentar dificuldades com leitura, escrita ou matemática e não significa que ela tenha dislexia ou discalculia.
O que merece atenção é observar a frequência, a intensidade, a duração e o impacto daquela dificuldade na vida da criança.
E principalmente perceber se aquilo acontece em diferentes ambientes - em casa, na escola, com outras crianças.

Às vezes, a criança está se esforçando muito para acompanhar a turma, mas os adultos só enxergam que ela “não presta atenção”.
Outras vezes, uma criança que parece simplesmente “desorganizada” pode estar apresentando dificuldades de atenção ou funções executivas.
E uma criança que está evitando determinadas atividades pode não estar sendo preguiçosa; pode estar evitando uma situação na qual já percebeu que tem dificuldade.
Por isso, eu sempre digo aos pais: não procurem um diagnóstico no comportamento do filho; procurem entender o que está acontecendo com ele.
E existe uma diferença importante entre observar e rotular. O pai atento não precisa chegar em casa depois de assistir a um vídeo na internet e dizer: “Pronto, descobri: meu filho tem TDAH!” [risos]
Ele pode fazer algo muito mais útil:
“Estou percebendo uma dificuldade que está persistindo. Será que está na hora de procurar alguém para avaliar isso?”
E essa avaliação pode envolver psicólogo, psicopedagogo, fonoaudiólogo, médico ou outros profissionais, dependendo da situação.
Então, para mim, o sinal de alerta não é a criança ser diferente das outras. É quando uma dificuldade começa a limitar o desenvolvimento, a aprendizagem, as relações ou o bem-estar dela.
Meu trabalho não é fazer todas as crianças caberem no mesmo molde. É entender do que aquela criança precisa para conseguir se desenvolver melhor.
4. A escola costuma ser um espaço onde muitas dificuldades aparecem: queda no rendimento, conflitos, isolamento, agitação ou recusa em frequentar as aulas. Como família, escola e profissionais podem dialogar sem rotular a criança?
Perossi, eu acho que o primeiro passo é lembrar que escola não é uma fábrica de crianças iguais. E às vezes a gente esquece disso.
A escola é um espaço muito importante porque é justamente ali que algumas dificuldades aparecem com mais clareza.
Uma criança pode começar a cair no rendimento, ficar isolada, muito agitada ou até se recusar a ir à escola.
Mas, antes de colocar uma etiqueta nela, precisamos perguntar: o que está acontecendo com essa criança e também o que está acontecendo ao redor dela?
Porque existe uma coisa curiosa: muitos pais olham para a escola de hoje com os olhos da escola que eles frequentaram.
“Na minha época era assim...” Só que o seu filho não está estudando na sua época, ele está estudando em 2026! [risos]".
A escola mudou, as crianças mudaram, a sociedade mudou e os próprios desafios da educação mudaram.
E eu acho importante fazer uma ressalva aqui: quando faço essa crítica à escola, não estou falando dos professores individualmente.
Existem professores extraordinários tanto na rede pública quanto na particular, professores que lutam diariamente para que seus alunos sejam mais do que simplesmente bons cumpridores de tarefas.
Você encontra, na escola pública, professores tentando mostrar para seus alunos que eles não estão ali apenas para se transformar em mão de obra.
E também encontra, na escola particular, professores tentando desenvolver pensamento crítico e consciência social, mesmo quando isso nem sempre é bem recebido pela própria instituição.
E também existe o contrário. Há instituições, públicas ou privadas, que acabam reproduzindo uma educação muito voltada para formar pessoas para ocupar determinados lugares na sociedade, e não necessariamente para compreender e transformar essa sociedade.
É aí que entra novamente o olhar sócio-histórico: a escola não está fora da sociedade. Ela também é produzida pelas relações sociais, econômicas e políticas que existem ao seu redor - e, ao mesmo tempo, ajuda a reproduzi-las ou transformá-las.
Por isso, quando uma criança não acompanha determinado padrão, existe o risco de colocarmos todo o problema dentro dela: “essa criança tem dificuldade”, “é indisciplinada”, “não presta atenção”.
Mas talvez seja necessário perguntar também:
“Que relação existe entre essa criança e o ambiente em que ela está inserida?”
E aí família, escola e profissionais precisam conversar. O professor conhece uma dimensão daquela criança que a família não conhece. A família conhece outra. E o profissional pode ajudar a juntar essas informações.
Não se trata de descobrir quem é o culpado. Trata-se de compreender o que essa criança precisa para aprender, conviver e se desenvolver.
Porque, quando família, escola e profissionais começam a disputar quem está certo, geralmente quem perde é justamente quem deveria estar no centro da conversa: a criança.
5. Seu trabalho reúne referências da psicologia, da psicanálise, da psicopedagogia e das teorias do desenvolvimento. Por que é importante não enxergar cada criança por uma lente única?
Luís, eu acho perigoso quando a gente tenta explicar uma criança inteira através de uma única lente.
É como tentar assistir a um filme inteiro olhando só para uma cena. Você pode até enxergar alguma coisa verdadeira, mas vai perder muita coisa importante.
Meu trabalho parte justamente dessa ideia. Eu sou psicólogo, tenho minha formação muito ligada à psicanálise, especialmente à perspectiva de Winnicott, trabalho com a Psicologia Sócio-Histórica e com autores como Vygotsky, e venho também aprofundando minha formação em psicopedagogia e neuropsicopedagogia.
Mas isso não significa pegar um pouquinho de cada teoria e fazer uma espécie de “vitamina de teorias”. [risos] Cada abordagem me ajuda a fazer uma pergunta diferente sobre aquela criança.

A psicanálise pode me ajudar a pensar sobre o mundo emocional, os vínculos e a maneira como aquela criança está vivendo suas relações.
A Psicologia Sócio-Histórica me lembra que ela não existe separada da família, da escola e da sociedade.
A psicopedagogia ajuda a compreender a relação dela com a aprendizagem. E a neuropsicopedagogia acrescenta conhecimentos sobre os processos cognitivos e neurobiológicos envolvidos nesse desenvolvimento.
Então, se uma criança está com dificuldade para aprender, por exemplo, eu não quero simplesmente colocar um rótulo nela e encerrar a conversa.
Quero perguntar: como ela aprende? O que está dificultando essa aprendizagem? Como são suas relações? O que está acontecendo na escola? Como essa família está vivendo essa situação? Existem aspectos cognitivos que precisam ser investigados? E o que essa criança está sentindo?
Isso também tem uma relação muito forte com a maneira como eu enxergo o mundo. Eu me identifico muito com o pensamento de Paulo Freire, principalmente com a ideia de que educação não deve ser simplesmente uma transmissão de conteúdos, mas uma possibilidade de formar sujeitos capazes de compreender a própria realidade.
E existe também uma coisa que admiro muito em José Mujica: a defesa de uma vida em que as pessoas tenham valor pelo que são, e não apenas pelo que produzem.
Então, embora eu esteja falando aqui como profissional e procure manter uma postura técnica e ética, eu não acredito em uma Psicologia sem sujeito, sem contexto e sem sociedade.
Para mim, uma criança não é apenas um cérebro que aprende, nem apenas um comportamento que precisa ser corrigido, nem apenas um diagnóstico, nem apenas uma história familiar.
Ela é tudo isso ao mesmo tempo - e ainda é uma pessoa em construção. Por isso eu prefiro várias lentes. Não para complicar o olhar, mas justamente para tentar enxergar melhor a criança que está diante de mim.
6. Quando se fala em desenvolvimento infantil, nomes como Winnicott, Piaget e Vygotsky aparecem com frequência. Sem transformar a entrevista em uma aula teórica, o que essas diferentes perspectivas ajudam a perceber sobre a infância?
Luís, eu gosto de pensar que cada um desses autores acende uma luz diferente sobre a infância. E, se eu acendo só uma lâmpada, algumas coisas continuam no escuro. [risos]
Winnicott me ajuda muito a compreender a importância do vínculo e do ambiente.
Ele fala de uma criança que precisa encontrar um ambiente suficientemente bom para poder se desenvolver. Isso não significa pais perfeitos - até porque, se dependesse disso, estaríamos todos perdidos. [risos]
Significa um ambiente capaz de oferecer segurança, cuidado e, gradualmente, permitir que a criança desenvolva autonomia.
Piaget nos ajuda a compreender que a criança não pensa simplesmente como um adulto pequeno.
Ela constrói o conhecimento ao interagir com o mundo, e essa construção acontece de maneiras diferentes ao longo do desenvolvimento.
Então, quando uma criança não compreende alguma coisa, talvez não seja simplesmente porque “não prestou atenção”. Pode ser que aquela tarefa esteja exigindo uma forma de raciocínio que ainda está em construção.
E Vygotsky acrescenta algo que considero fundamental: essa construção não acontece sozinha.
O desenvolvimento acontece nas relações sociais, na linguagem, na cultura e na mediação de outras pessoas.
Aquilo que a criança consegue fazer com ajuda hoje pode se tornar uma capacidade que ela realizará sozinha amanhã.
E aí começa a ficar interessante, porque eu não preciso escolher um autor e jogar os outros pela janela. [risos] Posso colocar essas perspectivas em diálogo.
Imagine uma criança que está tendo dificuldade para aprender matemática. Piaget pode me ajudar a pensar sobre como ela está construindo determinados conhecimentos. Vygotsky me faz perguntar quais mediações, relações e ferramentas culturais estão favorecendo ou dificultando essa aprendizagem.
E Winnicott me ajuda a olhar para a segurança emocional, os vínculos e o ambiente no qual essa criança está tentando aprender.
E ainda posso acrescentar a psicopedagogia e a neuropsicopedagogia para investigar de maneira mais específica os processos de aprendizagem e os aspectos cognitivos envolvidos.
Percebe, Luís? A mesma criança continua sendo uma só. O que muda é a pergunta que eu faço sobre ela.
E isso é muito importante porque existe uma tentação enorme hoje de transformar qualquer dificuldade em uma explicação rápida: “é TDAH”, “é TEA”, “é falta de limite”, “é preguiça”, “é porque os pais não educam direito”...
Às vezes é necessário investigar uma condição do neurodesenvolvimento, claro. Mas um diagnóstico nunca deveria ser o ponto final da nossa curiosidade sobre uma criança.
Para mim, essas teorias servem justamente para ampliar essa curiosidade. Elas nos lembram que uma criança está, ao mesmo tempo, se desenvolvendo, aprendendo, construindo vínculos e sendo construída pelas relações e pela cultura em que vive.
Então, no fim das contas, não é escolher entre Winnicott, Piaget ou Vygotsky. É olhar para a criança e perguntar: “O que cada uma dessas perspectivas consegue me ajudar a enxergar aqui que eu não enxergaria sozinho?”
Porque criança é complexa. Se alguém disser que tem uma explicação simples para todas elas, eu desconfio. [risos]
7. Muitas vezes, os adultos procuram uma explicação rápida para comportamentos complexos: “é preguiça”, “é falta de limite”, “é manipulação”, “é birra”. Que riscos existem quando a criança passa a ser definida por um rótulo?
O problema do rótulo é que ele começa como uma explicação e termina virando uma identidade.
“Ele é preguiçoso.” “Ela é manipuladora.” “Ele é impossível.” “Ela é muito problemática.” A partir daí, parece que tudo que a criança faz passa a confirmar aquilo que já pensamos sobre ela.
E tem uma coisa curiosa: às vezes a criança faz uma coisa três vezes e o adulto já escreveu uma biografia inteira dela. [risos]
Só que criança está em desenvolvimento. Ela ainda está construindo sua maneira de pensar, de sentir, de se relacionar e de lidar com as próprias dificuldades. Então, quando eu digo “ele é preguiçoso”, eu deixo de perguntar por que ele não está conseguindo realizar aquela tarefa.
Pode existir uma dificuldade de aprendizagem? Pode. Pode existir uma questão de atenção? Pode. Pode ser uma dificuldade emocional? Pode ser uma questão familiar ou escolar? Também pode. E pode ser simplesmente que aquela criança ainda não tenha desenvolvido determinada habilidade.
O rótulo encerra justamente a investigação.
E existe um risco ainda maior: a criança pode começar a acreditar naquilo que os adultos dizem que ela é. Se repetimos durante anos que ela é incapaz, desatenta, burra, difícil ou problemática, isso passa a fazer parte da maneira como ela enxerga a si mesma.
Aqui entra muito da minha perspectiva sócio-histórica. O sujeito se constitui nas relações. A maneira como uma criança é vista, tratada e nomeada pelos outros participa da construção da maneira como ela própria se percebe.
E isso também vale para os diagnósticos. Um diagnóstico pode ser extremamente importante quando existe uma avaliação adequada e ele ajuda a criança a ter acesso aos recursos de que precisa. O problema é quando o diagnóstico vira uma espécie de sobrenome: “João, 10 anos, TDAH”. Antes do TDAH, existe o João.
Então eu não sou contra nomear dificuldades. Pelo contrário. Às vezes precisamos nomeá-las para poder cuidar delas. Sou contra transformar uma característica, uma dificuldade ou até um diagnóstico na definição inteira de uma pessoa.
Eu prefiro perguntar: “O que essa criança consegue fazer? Onde ela está encontrando dificuldade? O que podemos oferecer para ajudá-la a avançar?”
Porque, uma criança não é uma coisa pronta para receber uma etiqueta. Ela está em construção. E, se ela está em construção, o nosso olhar também precisa estar aberto para a possibilidade de mudança.
8. O debate sobre alienação parental ganhou espaço em disputas familiares e jurídicas. Qual é o cuidado necessário para que esse tema não seja usado de forma simplista, especialmente quando há conflitos, desigualdades ou situações de violência na história da família?
Essa é uma questão que exige bastante cuidado, porque o conceito de alienação parental entrou no campo jurídico como uma tentativa de proteger o vínculo da criança com os dois lados da família, mas ele pode se tornar muito problemático quando é utilizado como uma explicação pronta para conflitos familiares complexos.
Quando existe uma separação, por exemplo, é preciso perguntar: o que essa criança está dizendo, de onde vem esse sofrimento e qual é a história dessa família?
Não podemos partir automaticamente da ideia de que, se a criança rejeita um dos pais, alguém necessariamente está manipulando essa criança.
Porque existem situações muito diferentes. Pode haver, de fato, uma interferência indevida de um adulto na relação da criança com o outro.
Mas também pode existir uma criança que está reagindo a experiências reais de negligência, violência, abuso, medo ou simplesmente a uma relação que já era problemática antes da separação.
E aí entra uma questão social que eu considero fundamental, Luís: quando um conflito familiar chega ao Judiciário, as pessoas não chegam todas com os mesmos recursos para disputar essa narrativa.
Existe conhecimento jurídico, existe acesso a bons profissionais, existe tempo, existe dinheiro. E dinheiro também é uma forma de poder.
Então, quem tem mais recursos pode ter melhores condições de transformar a própria versão dos acontecimentos em uma narrativa juridicamente organizada.
E isso não significa que quem tem dinheiro esteja mentindo. Significa que o poder econômico pode produzir uma desigualdade na capacidade de disputar aquilo que será reconhecido como verdade dentro de uma instituição.
E existe ainda uma questão delicada: quando utilizamos uma categoria jurídica ou psicológica para explicar rapidamente um conflito, corremos o risco de transformar uma situação extremamente complexa em uma espécie de “culpado oficial da história”.
Às vezes parece que a família chega com um problema de 15 anos e alguém pergunta: “Quem é o alienador?” Pronto. Resolvido. Só faltou colocar uma etiqueta na testa e encerrar a audiência.[risos]
O problema é que criança não é peça processual. Ela não deveria ser utilizada como instrumento de disputa entre adultos, mas também não deveria ter sua fala desconsiderada simplesmente porque existe uma hipótese de alienação parental.
E aqui eu faço uma distinção importante: escutar a criança não significa acreditar automaticamente em tudo que ela diz, assim como investigar uma possível manipulação não significa desacreditar automaticamente essa criança. As duas coisas exigem avaliação cuidadosa.
É aí que Psicologia e Direito precisam dialogar, mas sem uma área tentar ocupar o lugar da outra. O psicólogo não está ali para decidir quem é o vencedor da disputa familiar. Está ali para compreender relações, sofrimento, desenvolvimento e contexto, dentro dos limites éticos e técnicos da sua atuação.
E eu voltaria novamente para a perspectiva sócio-histórica: aquela criança não surgiu no dia em que os pais entraram com uma ação judicial. Existe uma história anterior. Existe uma família, relações de poder, condições econômicas, formas de educação, possíveis violências, vínculos, rupturas e, principalmente, uma criança que está sendo constituída dentro de tudo isso.
Então, para mim, o grande cuidado é não transformar “alienação parental” em uma explicação automática para qualquer rejeição, conflito ou denúncia.
Antes de perguntar “quem está alienando essa criança?”, precisamos perguntar “o que aconteceu nessa relação e o que essa criança está vivendo?”
Porque, se o Direito precisa proteger a criança, ele não pode proteger apenas o vínculo jurídico entre adultos. Precisa proteger a própria criança.
E talvez essa seja a parte mais importante: numa disputa em que dois adultos têm advogados, dinheiro, argumentos e documentos, a criança é justamente quem não deveria precisar vencer uma disputa para ser ouvida.
9. Qual é a importância da psicoeducação para pais? De que forma o acesso a informações confiáveis pode ajudar uma família a agir mais cedo, com menos culpa e mais responsabilidade?
Eu acho que a psicoeducação para pais começa justamente quando a gente percebe uma coisa: ter sido filho não nos transforma automaticamente em especialistas em paternidade. [risos]
Às vezes aparece aquele clássico: “Eu apanhei e não morri. Estou aqui até hoje.” Só que sobreviver a uma determinada forma de educação não significa que ela tenha sido a melhor possível, nem que precise ser repetida com a próxima geração.
E existe também o movimento contrário. Alguns pais sofreram violência, autoritarismo ou muita privação na própria infância e pensam:
“Meu filho não vai passar pelo que eu passei.” Isso é compreensível, mas pode levar ao outro extremo: dificuldade de colocar limites, excesso de proteção ou uma permissividade que também não ajuda a criança a se desenvolver.

Então a psicoeducação não serve para ensinar aos pais uma “receita de filho”. Serve para qualificar o olhar e ampliar as possibilidades de escolha.
Quando o pai entende melhor o desenvolvimento infantil, ele consegue perceber mais cedo quando determinada dificuldade pode ser esperada, quando merece atenção e quando é necessário procurar ajuda. E isso reduz aquela culpa paralisante: “Onde foi que eu errei?”
A pergunta pode mudar para: “O que eu estou percebendo agora e o que posso fazer a partir daqui?”
E isso é responsabilidade, não culpa. Porque educar também é reconhecer que a criança de hoje não precisa ser criada exatamente como nós fomos criados. Ela está vivendo outro tempo, outra sociedade e outras condições.
No fundo, psicoeducar os pais é ajudá-los a trocar o “na minha época era assim” por uma pergunta muito mais interessante: “O que essa criança precisa de mim hoje?”
10. Para os pais que sentem que algo mudou, mas ainda não sabem nomear o que está acontecendo, qual seria o primeiro passo?
Luís, eu começaria justamente dizendo que não existe receita de bolo. [risos] Às vezes os pais querem uma lista: “Se acontecer isso, faça aquilo”. Só que criança não vem com manual de instruções e, em alguns casos, tentar descobrir o que está acontecendo é quase descobrir o sexo dos anjos antes de saber se os anjos existem. [risos]
O primeiro passo é observar antes de concluir.
Se os pais perceberam que alguma coisa mudou, vale perguntar: O que mudou? Quando começou? Em quais situações acontece? Acontece em casa, na escola, nos dois lugares? O que estava acontecendo na vida dessa criança naquele período?
E principalmente: não transformar imediatamente a mudança em um rótulo. “Está mais quieto, então está deprimido.” “Está agitado, então é TDAH.” “Não quer estudar, então é preguiçoso.” O comportamento é uma informação, não uma conclusão.
Depois dessa observação, se a dificuldade persiste, aumenta ou começa a prejudicar a aprendizagem, as relações ou o bem-estar da criança, aí sim é hora de procurar ajuda profissional.
E eu acho importante dizer aos pais: procurar ajuda cedo não significa que vocês fracassaram como pais.
Significa justamente que perceberam alguma coisa e decidiram não esperar o problema ficar maior para tentar entender.
No fundo, o primeiro passo é bem menos sofisticado do que parece: parem, observem, conversem com a criança e tentem compreender antes de tentar consertar.
Porque, quando a gente corre demais para encontrar a resposta, às vezes nem percebe que ainda está fazendo a pergunta errada.
11. Existe uma pressão para que pais encontrem respostas imediatas para tudo: um diagnóstico, uma técnica, um vídeo que resolva a situação. O que se perde quando a infância passa a ser tratada com tanta pressa?
Luís, hoje existe uma espécie de ansiedade pela resposta pronta. O pai percebe uma dificuldade e, antes mesmo de observar o que está acontecendo, já procura um diagnóstico, uma técnica, um vídeo ou pergunta no grupo da família.
E aí entram as famosas “tias e tios do WhatsApp”, que às vezes têm uma certeza impressionante sobre assuntos que nunca estudaram. [risos]
A internet e a IA podem ser ferramentas excelentes para informação, mas informação não é automaticamente conhecimento. E muito menos avaliação.
O problema é que recebemos famílias trazendo afirmações completamente desencontradas: “Li que isso é TDAH”, “me disseram que tirar o açúcar resolve”, “vi um vídeo dizendo que é falta de limite”.
E muitas vezes o profissional precisa primeiro desmontar uma informação equivocada para depois conseguir construir uma compreensão mais adequada.
E o que se perde nessa pressa? Perde-se a própria infância. Porque desenvolvimento não acontece na velocidade de um vídeo de 30 segundos.
A criança precisa de tempo para experimentar, errar, amadurecer, aprender e construir suas habilidades.
Por isso, eu não sou contra os pais procurarem informação. Pelo contrário. Eu quero pais informados. Mas informação precisa vir acompanhada de senso crítico.
Antes de perguntar “qual técnica funciona para isso?”, talvez seja melhor perguntar: “Isso realmente está acontecendo com meu filho? Em que contexto? E o que essa criança está tentando comunicar?”
Porque, se a internet oferece uma resposta para tudo, talvez a primeira coisa que precisamos ensinar aos pais seja justamente a coragem de dizer: “Eu ainda não sei. Vamos investigar.”
12. Em sua experiência, qual é a diferença entre corrigir um comportamento e tentar compreender o que está por trás dele? Pode dar um exemplo comum do cotidiano familiar?
Eu diria que corrigir um comportamento é olhar para aquilo que a criança está fazendo; compreender é tentar entender por que ela está fazendo aquilo.
E uma coisa não exclui a outra. Criança precisa de limites, mas limite sem compreensão pode virar apenas obediência.
E aí existe um clássico da educação familiar: “Faça o que eu falo, não faça o que eu faço.” [risos] Esse clichê não aparece apenas de vez em quando. Ele passa diariamente na frente da criança num outdoor com luzes piscantes, holofotes e carro de som.
Imagine um pai que grita constantemente e, quando o filho grita, diz: “Não fale assim comigo!”
Ele está corrigindo o comportamento da criança, mas também precisa perceber que a criança aprende observando as relações que vive. Não adianta falar sobre respeito enquanto o modelo cotidiano é o desrespeito.
Isso não significa que os pais precisem ser perfeitos. Aliás, seria uma péssima notícia, porque ninguém sobreviveria a essa exigência. [risos]
Significa que eles também precisam reconhecer seus próprios comportamentos e, quando necessário, dizer: “Eu errei. Não deveria ter falado com você dessa maneira.”
Então compreender não significa passar a mão na cabeça. Significa colocar o limite entendendo o que está acontecendo.
Antes de perguntar “como faço meu filho parar de fazer isso?”, talvez seja importante perguntar “o que ele está aprendendo comigo enquanto faz isso?”
Porque educar não é apenas aquilo que a gente fala. É também aquilo que a criança nos vê fazendo todos os dias.
13. Muitos pais carregam culpa quando percebem que o filho está sofrendo ou enfrentando dificuldades. Como acolher essa angústia sem negar a responsabilidade que os adultos têm no desenvolvimento da criança?
Luís, quando a gente se torna pai ou mãe, ninguém entrega um guia de instruções, um esquema tático ou sequer um prompt que possa ser atualizado conforme a criança cresce. [risos]
O filho não vem com manual, e muito menos com suporte técnico 24 horas. Então eu acho importante separar culpa de responsabilidade. A culpa muitas vezes paralisa: “Meu filho está sofrendo, então eu fracassei como pai.”
Já a responsabilidade pode produzir movimento: “O que está acontecendo e o que eu posso fazer a partir de agora?”
É claro que os adultos têm responsabilidade. As relações familiares, a forma como educamos, os limites que colocamos e o ambiente que oferecemos participam do desenvolvimento da criança.
Mas isso não significa que toda dificuldade do filho seja resultado de um erro dos pais. Existem aspectos individuais, escolares, sociais, culturais e até condições do desenvolvimento que precisam ser considerados.
Então, em vez de procurar imediatamente “onde eu errei?”, eu prefiro ajudar os pais a perguntarem: “O que meu filho está precisando de mim neste momento?”
Isso permite acolher a angústia sem transformar os pais em réus e, ao mesmo tempo, sem retirar deles a responsabilidade.
Porque, no fim, ser responsável não é ter acertado tudo. É conseguir olhar para aquilo que não está funcionando e ter disposição para fazer diferente.
14. A adolescência costuma ser vista como uma fase de afastamento, conflito e mudanças bruscas. Em que momento esse movimento é esperado e quando pode indicar que o adolescente precisa ser escutado com mais atenção?
A adolescência é justamente aquele período em que o filho começa a se afastar um pouco da família para construir uma identidade própria.
Então algum conflito, mudança de interesses, necessidade de privacidade e até aquele clássico “não quero conversar” fazem parte do processo.
O problema é quando a gente tenta descobrir onde termina a adolescência e começa um sofrimento que precisa de atenção usando apenas o comportamento.
Porque, peru de Natal vem com aquele pino que avisa que está pronto. Adolescente não vem com bip, LED ou uma mensagem dizendo: “Download concluído, atualização instalada.” [risos]
Por isso, mais importante do que uma mudança isolada é observar intensidade, duração e impacto. Um adolescente mais fechado por algum tempo pode estar apenas buscando espaço.
Mas um isolamento persistente, queda importante no rendimento, abandono de atividades que antes gostava, alterações significativas de sono ou alimentação, irritabilidade intensa, desesperança ou mudanças bruscas no comportamento merecem uma atenção maior.
E tem outra coisa fundamental: não transformar toda mudança em problema e, ao mesmo tempo, não usar “é só adolescência” para ignorar um possível sofrimento.
O adolescente precisa de espaço, mas também precisa saber que existe alguém disponível para escutá-lo. E escutar não significa interrogatório policial: “O que aconteceu? Com quem? Por quê? Me conta agora!” [risos]
Às vezes começa simplesmente com: “Percebi que você não está muito bem. Não precisa falar agora, mas eu estou aqui quando quiser.”
Porque autonomia e presença não são opostos. O adolescente precisa poder se afastar sem sentir que foi abandonado.
15. Se você pudesse deixar uma ideia para pais, educadores e cuidadores levarem para a rotina, qual seria? O que muda quando um adulto deixa de perguntar apenas “como faço essa criança obedecer?” e passa a perguntar “o que ela está tentando comunicar?”
Luís, se eu pudesse deixar uma única ideia para pais, educadores e cuidadores, seria justamente essa mudança de pergunta.
Em vez de “Como faço essa criança obedecer?”, começar a perguntar: “O que essa criança está tentando me comunicar com esse comportamento?”
Isso não significa deixar de colocar limites. Criança precisa de limites, referências e adultos que sustentem aquilo que ela ainda não consegue sustentar sozinha.
Mas existe uma diferença enorme entre controlar um comportamento e compreender uma criança.
Quando uma criança faz uma birra, por exemplo, a primeira reação pode ser: “Como faço isso parar?” Mas podemos perguntar também: “Ela está frustrada? Cansada? Com fome? Não conseguiu expressar alguma coisa? Está testando um limite? Está reagindo a alguma situação que ainda não compreende?”
E isso vale também para o adolescente. Às vezes aquele “não quero conversar” está dizendo exatamente isso: “Preciso de espaço”. Mas, em outras situações, pode estar dizendo: “Não sei como falar sobre o que está acontecendo comigo.”
Para mim, essa mudança de olhar é muito importante porque comportamento é comunicação, mas não é uma mensagem com legenda automática. Precisamos observar, contextualizar e, quando necessário, buscar ajuda.
E talvez seja essa a ideia que eu gostaria que os pais levassem para casa: não precisamos acertar sempre. Precisamos estar disponíveis para perceber, escutar e rever nossas próprias certezas.
Porque educar uma criança não é simplesmente fazê-la caber no mundo que já existe. É também ajudá-la a construir recursos para compreender esse mundo e, quem sabe, transformá-lo.
E aí, Luiz, acho que a pergunta muda tudo: menos “como faço meu filho obedecer?” e mais “o que ele está precisando que eu compreenda?”
16.Para encerrar, que verdade sobre a infância e a relação entre pais e filhos você gostaria que mais pessoas compreendessem antes de julgar, cobrar ou tentar resolver tudo?
Luís, talvez eu encerrasse com uma ideia muito simples: antes de julgar uma criança, tente se lembrar de quando você também era criança.
Lembre do que você gostava, do que tinha medo, do que sonhava, das coisas que queria que os adultos compreendessem e nem sempre compreenderam.
Isso não significa romantizar a infância, nem achar que toda criança deve ser tratada como se fosse frágil. Significa lembrar que ela ainda está construindo os recursos que nós, adultos, esperamos que ela já tenha.
Existe uma pergunta atribuída a Viktor Frankl que eu gosto muito, embora ela apareça em diferentes versões: não importa tanto o que a vida fez com você, mas o que você fez com aquilo que a vida fez com você.
Eu acho que isso também pode ser pensado na relação entre gerações. Nós recebemos uma história. Recebemos a educação que tivemos, os nossos medos, nossas feridas, nossos valores e também aquilo que nossos pais fizeram de bom. Mas não precisamos simplesmente entregar tudo isso, intacto, para os nossos filhos.
Podemos escolher o que preservar, o que transformar e aquilo que não queremos repetir.
E talvez essa seja uma das maiores responsabilidades de ser adulto diante de uma criança: não exigir que ela carregue aquilo que nós ainda não conseguimos elaborar.
Porque nossos filhos não são uma segunda oportunidade para corrigirmos a nossa própria infância. São pessoas novas, vivendo um tempo novo.
Então, antes de cobrar, julgar ou tentar consertar tudo, talvez valha a pena parar por alguns segundos e lembrar:
“Eu também já fui essa criança.”
E, quem sabe, a partir dessa lembrança, a gente consiga olhar para a criança que está diante de nós com um pouco menos de pressa para corrigir e um pouco mais de disposição para compreender.
A infância não cabe em fórmulas prontas. Entre a preocupação excessiva e a negligência dos sinais, existe um caminho de escuta, presença e busca responsável por orientação.
Mais do que ensinar pais a serem perfeitos, o trabalho de Ricardo Rocha propõe algo mais possível e necessário: ajudá-los a olhar para os filhos com mais repertório, menos julgamento e maior disposição para compreender o que cada comportamento pode estar tentando dizer.
Ricardo Rocha é psicólogo e psicopedagogo, com atuação voltada à infância, família e educação.
Atende crianças, adolescentes e adultos de forma presencial, em Santo André, e online. CRP 06/209.609.
Instagram: @rickrochapsicologo




Não basta o conhecimento que acumulamos, talvez, uma vida toda, e sim as perguntas feitas na forma, ordem e tempos certos, para que esse conhecimento possa ser colocado em prática. Obrigado pela oportunidade Perossi! 😉